NEWS | Varejo apresenta recuperação após dois anos de retração

Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) apresentou crescimento de 1,5% sobre o mesmo mês do ano passado, após descontada a inflação

A receita de vendas do comércio varejista brasileiro apresentou crescimento de 1,5% em agosto de 2017 em comparação com o mesmo período do ano passado, após descontada a inflação aplicada aos setores do varejo ampliado, segundo o Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) divulgado nesta sexta-feira (15).

Em julho o varejo já havia deixado de retrair, apresentando variação nula na comparação com o mesmo mês de 2016. Agora, em agosto, o setor apresentou crescimento real após dois anos sem crescer.

“O desempenho de agosto foi puxado principalmente pelo setor de Supermercados e Hipermercados, que possui grande peso no índice e apresentou aceleração. Além disso, a queda da inflação geral também influenciou positivamente para o resultado do mês”, afirma Gabriel Mariotto, gerente da área de inteligência da Cielo.

O resultado apurado em agosto ainda foi levemente beneficiado pelo impacto positivo do calendário em relação ao mesmo mês do ano passado, com uma segunda-feira a menos e uma quinta-feira a mais — esta última tradicionalmente mais benéfica para o movimento do varejo.

Ajustados os impactos de calendário, o índice teria subido 1,1%, patamar que indica uma aceleração de 0,3 p.p. quando comparado ao desempenho do mês de julho (0,8%) nesse mesmo conceito — também o melhor resultado do índice deflacionado ajustado desde março de 2015.

Em termos nominais, o indicador revela alta de 1,7% em agosto contra um ano antes. Isolados os efeitos de calendário, o índice nominal mostra leve desaceleração na passagem de julho para agosto, de 1,5% para 1,3%.

INFLAÇÃO

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apurado em agosto pelo IBGE apontou alta de 2,5% no acumulado dos últimos 12 meses, enquanto julho havia registrado 2,7%.

Ponderando o IPCA pelos setores e pesos que compõem o varejo ampliado, também houve desaceleração da inflação no varejo, de 0,8% em julho para 0,2% em agosto, no acumulado dos últimos 12 meses. “A inflação no varejo, que já vinha sucessivamente apresentando quedas, atingiu em agosto de 2017 o nível mais baixo da série histórica do ICVA”, comenta Mariotto.

SETORES

Em agosto, apenas o bloco dos setores de Bens Duráveis e Semiduráveis apresentou desaceleração. Os demais blocos registraram aceleração e contribuíram para o resultado positivo do índice no mês.

Os setores que comercializam Bens Não Duráveis tiveram, assim como no mês anterior, a melhor performance do mês em média, registrando novo crescimento sobre um ano antes. Este resultado foi impulsionado por Supermercados e Hipermercados, que segue mostrando recuperação no segundo semestre.

O bloco de Bens Duráveis e Semiduráveis apresentou, na média, leve queda em comparação com um ano antes, além de desaceleração na passagem mensal. Destaque positivo para o setor de Materiais para Construção, que apresentou uma das maiores acelerações do bloco.

Por fim, os setores ligados a Serviços apresentaram a maior aceleração na passagem de julho para agosto na média, puxados principalmente por Turismo e Transportes. O setor é destaque com uma das maiores acelerações registradas pelo ICVA na passagem mensal.

REGIÕES

Todas as regiões brasileiras apresentaram crescimento em agosto em comparação com um ano antes. A região Sul apresentou maior crescimento do índice deflacionado no mês (+4,6%), seguida pelas regiões Norte e Nordeste, com crescimentos de 4,2% e 2,1%, respectivamente. A região Centro-Oeste apresentou crescimento deflacionado de 1,1% e o Sudeste, ainda impactado em parte pelo efeito da Olimpíada no Rio de Janeiro em agosto do ano passado, subiu 0,7%.

No conceito nominal, a região Sul também apresentou o maior crescimento (+4,7%), seguida pelas regiões Norte (+3,8%) e Nordeste (+3,0%). Por fim, o Centro-Oeste teve crescimento nominal realizado no mês de 2,1% e a região Sudeste subiu 0,6% nesse conceito.

SOBRE O ICVA

O Índice Cielo do Varejo Ampliado (ICVA) acompanha mensalmente a evolução do varejo brasileiro de acordo com a sua receita de vendas, com base em um grupo de mais de 20 setores mapeados pela Cielo, de pequenos lojistas a grandes varejistas. O peso de cada setor dentro do resultado geral do indicador é definido pelo seu desempenho no mês.

O ICVA foi desenvolvido pela área de Inteligência da Cielo com base nas vendas realizadas nos mais de 1,6 milhão de pontos de vendas ativos credenciados à companhia. A proposta do Índice é oferecer mensalmente uma fotografia do desempenho do comércio varejista do país a partir de informações reais.

COMO É CALCULADO

A gerência de Inteligência da Cielo desenvolveu modelos matemáticos e estatísticos que foram aplicados à base da companhia com o objetivo de isolar os efeitos do comportamento competitivo do mercado de credenciamento, como a variação de market share, bem como isolar os efeitos da substituição de cheque e dinheiro no consumo — dessa forma, o indicador não reflete somente a atividade do comércio pelo movimento com cartões, mas, sim, a real dinâmica de consumo no ponto de venda.

Esse índice não é de forma alguma a prévia dos resultados da Cielo, que é impactado por uma série de outras alavancas, tanto de receitas quanto de custos e despesas.

ENTENDA O ÍNDICE

ICVA Nominal — Indica o crescimento da receita nominal de vendas no varejo ampliado do período, comparando com o mesmo período do ano anterior. Reflete o que o varejista de fato observa nas suas vendas.

ICVA Deflacionado — ICVA Nominal descontado da inflação. Para isso, é utilizado um deflator que é calculado a partir do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), apurado pelo IBGE, ajustado ao mix e pesos dos setores contidos no ICVA. Reflete o crescimento real do varejo, sem a contribuição do aumento de preços.

ICVA Nominal/Deflacionado com ajuste calendário — ICVA sem os efeitos de calendário que impactam determinado mês/período, quando comparado com o mesmo mês/período do ano anterior. Reflete como está o ritmo do crescimento, permitindo observar acelerações e desacelerações do índice.

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Fonte: Cielo

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